Falta de Ar
Falta de Ar
Tem gente que percebe primeiro na escada. Aquela escada que sempre subiu conversando agora faz parar no meio para puxar o ar. Outros notam na cama, quando deitam e o peito parece ficar pesado, ou de madrugada acordando com aquela sensação de sufoco que só passa quando senta. A falta de ar, que a gente chama de dispneia, é um dos sinais mais comuns de que o coração pode não estar dando conta de bombear o sangue como deveria. Quando isso acontece o líquido acaba ficando preso no pulmão e a respiração fica curta, vem um cansaço que não combina com o esforço que você fez e muita gente passa a precisar de mais travesseiros para dormir. É diferente daquela falta de ar de crise de ansiedade, que chega de repente com formigamento e medo, a falta de ar de causa cardíaca costuma ir piorando aos poucos, aparece no esforço e alivia quando você para e senta.
Se isso está acontecendo com você, vale investigar com consulta com cardiologista, ecocardiograma com Doppler, eletrocardiograma e ergoespirometria com VO2 para entender de onde vem o problema e tratar antes que avance.
Tem alguns detalhes que ajudam bastante. A falta de ar cardíaca piora com esforço pequeno, tipo tomar banho, varrer a casa ou andar um quarteirão rápido, piora quando deita de barriga para cima e melhora sentado, que a gente chama de ortopneia, acorda você de madrugada com sensação de afogamento e ainda costuma vir com pernas inchadas no fim do dia, ganho de peso de 2 a 3 quilos em poucos dias e aquele cansaço que não passa nem descansando. Quando junta dois ou três desses sinais, não deixa para depois.
Do coração a falta de ar vem com esforço e ao deitar, e quase sempre junto com inchaço e cansaço. Do pulmão vem mais com chiado, tosse, catarro e dor para puxar o ar fundo, piora com poeira, cheiro forte ou fumaça. Da ansiedade é aquela crise que chega do nada, com aperto no peito, formigamento nas mãos, sensação de que vai morrer e passa em 15 a 20 minutos. O exame que tira essa dúvida de vez é a ergoespirometria com medida de VO2, porque ela mostra se o limite vem do coração, do pulmão ou só de falta de condicionamento. O ecocardiograma completa vendo se o músculo está fraco ou se alguma válvula está com problema.
Na prática o caminho é bem direto: consulta clínica para entender a história, eletrocardiograma para ver ritmo e se tem sinal de infarto antigo, ecocardiograma com Doppler colorido para medir a força do coração, que é a fração de ejeção, e olhar as válvulas, ergoespirometria com VO2 para medir seu fôlego de verdade e MAPA e Holter de 24 horas quando tem pressão alta ou palpitação junto. São exames simples, rápidos e que já dão uma direção clara do tratamento.
Se a falta de ar aparece de repente com dor no peito, coração disparado acima de 120 batimentos, lábios arroxeados, suor frio ou você não consegue completar uma frase sem parar para respirar, isso é emergência. Pode ser arritmia, infarto, embolia pulmonar ou descompensação de insuficiência cardíaca. Nesse caso o certo é ligar para o SAMU 192 e ir para emergência. Se a falta de ar não é tão forte mas vem se repetindo, marque uma avaliação com cardiologista para investigar com calma.
FAQ frequentes sobre a Falta de ar.
Quando a falta de ar piora ao deitar e melhora sentado a gente chama de ortopneia. Isso acontece porque deitado o sangue que estava nas pernas volta para o coração e para o pulmão, e se o coração está fraco ou a válvula está doente ele não dá conta. Muita gente só consegue dormir com 2 ou 3 travesseiros. Se você precisa fazer isso, é um sinal importante para fazer um ecocardiograma.
Acordar no meio da noite com sufoco e precisar sentar na cama para respirar tem nome, dispneia paroxística noturna, e é um dos sinais mais clássicos de insuficiência cardíaca. Não é susto de ansiedade. A pessoa acorda ofegante, às vezes tossindo, e demora alguns minutos para melhorar. Quem tem isso com frequência precisa de avaliação no mesmo dia..
Falta de ar mesmo parado, sem fazer esforço nenhum, é sempre mais preocupante. Pode ser crise de coração fraco descompensado, arritmia, embolia pulmonar ou crise de asma grave. Se veio de repente e você não consegue falar uma frase inteira sem parar, tem lábio arroxeado ou dor no peito junto, é emergência e precisa ir para pronto-socorro. Se é leve mas está ali todo dia, mesmo em repouso, precisa investigar com ecocardiograma e ergoespirometria.
Sim. A pressão alta que fica alta por anos vai deixando o coração mais grosso e rígido, ele perde a capacidade de relaxar e o sangue volta para o pulmão. Isso dá falta de ar primeiro no esforço e depois até para deitar. Muita gente com pressão alta não sente nada até começar a sentir o fôlego curto. Por isso quem tem pressão alta e começou com falta de ar precisa fazer MAPA 24 horas, ECG e ecocardiograma.
Na hora, pare o esforço, sente com as costas apoiadas, não deite reto, afrouxe roupa apertada e tente respirar devagar puxando pelo nariz e soltando pela boca. Se tiver bombinha para asma e já usa, pode usar. Não tome remédio por conta própria e não tome água demais se já tem coração fraco. Se tem aparelho de pressão e oxímetro, meça e anote. Se não melhorar em poucos minutos, se vier com dor no peito, desmaio ou lábio roxo, ligue 192.
Pode e é bem comum, principalmente em mulher. Na anemia tem pouco glóbulo vermelho para levar oxigênio, então o coração precisa bater mais rápido e você sente falta de ar com esforço pequeno, cansaço, tontura e coração acelerado. Muita gente confunde com problema do coração. A diferença é que na anemia a falta de ar vem com palidez, unha fraca e queda de cabelo. Um hemograma simples já mostra e o cardiologista sempre pede para diferenciar de causa cardíaca..
A ansiedade pode dar sensação de falta de ar sim, mas ela não costuma ser todo dia o dia inteiro sem parar. Na ansiedade a falta de ar vem em crises, com aperto na garganta, vontade de suspirar o tempo todo, formigamento nas mãos e sensação de que o ar não entra, e melhora quando você se distrai ou faz exercício leve. Quando a falta de ar é diária, piora para subir escada e vem com inchaço nas pernas, a causa raramente é só ansiedade. Mesmo quem tem ansiedade precisa descartar coração e pulmão primeiro.
Cada caso é avaliado de forma individual pelo médico cardiologista, que indicará a técnica, exames, procedimentos mais adequados de acordo com as características do coração, sintomas e fatores de risco de cada paciente, sempre priorizando a segurança, a eficácia e os melhores resultados para a saúde vascular.